Juventude discute direitos através do Cinema
Estiveram reunidos entre os dias 8 e 10 de junho, no Museu Nacional da República, em Brasília (DF), alunos/as do Ensino Médio representando Ceilândia, Guará, Gama, Planaltina e Lago Oeste. O encontro é uma das atividades do Projeto Protagonismo Juvenil, desenvolvido pelo INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos) em parceria com a KNH.
O objetivo era reunir nesses três dias diferentes escolas para debater temáticas que aprofundassem o trabalho iniciado nas oficinas que trataram de direitos e orçamento público.
Para iniciar a programação, Márcia Acioli, assessora do Inesc e responsável pelo projeto, mesclou os/as adolescentes em pequenos grupos com participantes de todas as escolas, para os quais levantou alguns questionamentos.
O direito à educação de qualidade foi o tema mais apontado pelos jovens, como chave fundamental para a garantia de outros direitos. Além disso, argumentaram que somente com um ensino qualificado seria possível ter acesso a informações importantes, o que poderia contribuir para a conscientização de seus direitos e culminar com a cobrança às autoridades responsáveis. “Nossos direitos estão sendo violados. Cadê nosso dinheiro? Queremos educação, cultura e arte”, protestaram os/as jovens.
Mas não só o acesso à educação foi questionado. Os meninos e as meninas também destacaram que é preciso maior investimento na área da saúde para assegurar uma sociedade mais justa.
A programação contou com a exibição de três filmes, que nortearam os debates mediados pela professora, doutora em economia e pesquisadora do CNPQ, Glaucia Campregher. “A história das coisas” (documentário da infonature) abordou a linearidade da cadeia produtiva e as implicações ambientais e sociais do modelo econômico. Neste modelo o ambiente e as pessoas são colocadas em detrimento do lucro. “I love Hockabee´s” (David Russel) foi o segundo filme debatido. A sua história conjuga a degradação do ambiente, a busca desenfreada por lucros e consumo e as crises existenciais da modernidade. “Saneamento Básico, o filme” mostrou como uma comunidade se organiza em busca de um direito, que viria a atender a necessidade comunitária e contribuir para preservar o rio da pequena cidade.
Os alunos entenderam que tudo ocorre de maneira articulada, ou seja, o consumo está ligado ao mercado e ao lixo, que explora trabalhadores e trabalhadoras que, por sua vez, têm a ver com toda a economia de um país, ligada a economia mundial. E que as angústias pessoais se embaralham com as pressões da sociedade globalizada e consumista.
“Nós não paramos pra pensar. Simplesmente compramos. Não sabemos de onde vem, pra onde vai... É importante entender este processo historicamente”, destacou Glaucia durante o debate no intuito de mostrar que “não é simples não consumir”.
Das experiências promovidas pelo encontro, cada jovem pôde fazer suas próprias reflexões. Artur Ribeiro, do Centro de Ensino Médio 2, de Gama, acredita que pode contribuir com a sustentabilidade do planeta sendo um militante pela causa. Keltuly Iohanes, da mesma escola, afirma que o ideal é consumir com consciência, comprando somente o necessário.
Os/as jovens acreditam que a sociedade deve fazer a sua parte, ter mais atitude, cobrando mais das autoridades públicas.
Deivison Alves, do Centro de Ensino Médio (CEM) 2, do Gama, afirmou que nesses três dias foi possível ter uma idéia melhor de como o mundo é finito e temos feito pouco pelo ecossistema. Kezia Merare, também do CEM 2, destacou o quanto a mídia pode influenciar as pessoas. Nesse sentido, ela afirma que “a gente tem que ter idéias mais firmes, mais atitude”.
Para Mady de Salém, a didática do projeto é muito boa, pois torna o assunto mais agradável do que a abordagem dos livros didáticos. “Se o projeto não tivesse ido à escola eu não teria conhecido o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Muitas coisas que a Márcia [responsável pelo projeto] falou eu não sabia”. Ainda sobre didática, Hellen Souza, aluna da mesma escola, acrescentou que apesar de alguns assuntos serem “chatos”, é importante que os adolescentes promovam debates. A adolescente afirmou que a proposta pedagógica do projeto consegue romper essa barreira.
“Cada um de nós pode fazer a diferença, e o projeto mostra isso”, enfatizou uma das participantes do evento. Essa afirmação da adolescente mostra que o público jovem está interessado em ter mais informações e domínio sobre os assuntos que dizem respeito a eles. Investir na capacitação desses meninos e meninas rompe a barreira do “favor”, pois mostra a responsabilidade da sociedade civil e do Poder Público em torná-los protagonistas de suas próprias histórias, com ações efetivas em busca dos Direitos Humanos.