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Investir na primeira infância diminui a violência

A elaboração de programas que voltados para o desenvolvimento integral de crianças de zero a seis anos pode evitar que, quando jovens, elas sejam levadas à criminalidade.

"Não é possível, em 2007, conceber os espaços de acolhimento da primeira infância como um lugar de guarda, como se guardam malas, por exemplo. A creche tornou-se indispensável para que as crianças possam implementar suas estruturas essenciais, com segurança afetiva e tranqüilidade". Com estas palavras, o especialista francês Hubert Montagner, PHD em psiquiatria infantil, finalizou sua palestra durante audiência pública conjunta das comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Educação (CE) do Senado Federal, realizada na quinta-feira (29) e presidida pela senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), como parte da programação do 3º Fórum Senado Debate Brasil sobre "Políticas para a Primeira Infância - Quebrando a Cadeia de Violência".

Na reunião, Montagner mostrou aos senadores a experiência da França na adoção de um modelo especial de creches, criadas para propiciar o desenvolvimento integral das crianças e de suas famílias, com espaços destinados a atividades artísticas, lúdicas, culturais, linguísticas, cognitivas, de estímulo à psicomotricidade e à imaginação, além dos tradicionais locais para o sono, a alimentação e a higiene.

Presidente da CAS e coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes, Patrícia Saboya lamentou o fato de apenas 9,9% dos meninos e meninas pobres terem acesso a creches públicas no Brasil. Apesar disso, salientou a senadora, já se percebe, lentamente, uma mudança de mentalidade no País no que diz respeito à primeira infância.

"No Brasil, estamos, aos poucos, avançando porque há uma compreensão cada vez maior sobre a importância de se investir prioritariamente em políticas para a primeira infância - fase fundamental para o desenvolvimento físico, emocional e intelectual da criança", destacou a senadora. Para ela, o investimento em programas que contemplem essa etapa da vida pode evitar que crianças e adolescentes sejam atraídos para a criminalidade, diminuindo, assim, os índices de violência.

O especialista francês foi enfático ao dizer a primeira infância deve ser a escolha principal dos governantes, definindo essa fase da vida como o "poço da verdade". Segundo ele, a violência não é um fenômeno inevitável. "Se fizermos um esforço para construir estruturas de acolhimento e educação para nossas crianças, elas serão capazes de se adaptar às regras sociais, crescendo seguras para o convívio pacífico", ressaltou ele, sublinhando que o coração da formação do ser humano é a "segurança afetiva".

O 3º Fórum Senado Debate Brasil discutiu, durante dois dias, as políticas públicas voltadas para as crianças de zero a seis anos. Na abertura, o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), pediu que o Brasil se esforce para mudar o quadro de abandono da infância e lembrou que atualmente aguardam deliberação na Casa 29 proposições relacionadas com planejamento familiar, gravidez de adolescente, exame pré-natal, aleitamento materno, funcionamento de creches, violência doméstica e violência contra a criança.

Ao lado do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), Viana elogiou o projeto da senadora Patrícia que propõe a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses. Ele fez ainda um apelo ao colega para que aquela Casa aprecie a proposta, com prioridade, sugerindo que tanto o Senado quanto a Câmara se antecipem à aprovação do texto e concedam já o benefício ampliado às suas servidoras.