Especialistas debatem sobre atenção especial na primeira infância
Durante audiência pública realizada ontem (28/10) pelas Comissões de Educação, Cultura e Esporte (CE) e de Assuntos Sociais (CAS), especialistas do Brasil, da França e do Canadá destacaram a importância da atenção à primeira infância para a promoção de uma cultura de paz.
Richard Tremblay, diretor do Centro de Excelência para o Desenvolvimento da Primeira Infância da Universidade de Montreal (Canadá), chamou a atenção para a necessidade de os programas voltados para as crianças serem avaliados a partir de critérios rigorosos.
Tremblay relatou experiência realizada nos Estados Unidos entre 1935 e 1939 com crianças de 5 a 12 anos em situação de risco. Quarenta anos depois, uma avaliação feita por Joan McCord, criminologista que se dedicou a examinar a eficácia de programas sociais em sua área, indicou que as crianças atendidas tiveram mais problemas na vida adulta - como a tendência ao envolvimento em crimes - do que grupo similar de meninos que não haviam recebido atenção especial.
Entre as conclusões apresentadas por Tremblay, estão a de que é importante intervir no começo da infância, a de que a qualidade dos recursos da intervenção é relevante especialmente com crianças nascidas num contexto de adversidade e a de que, para reduzir as desigualdades nos campos da educação e da saúde, é preciso oferecer serviços eficazes a partir da gestação.
A presidente da Associação Brasileira pelo Direito de Brincar, Marilena Flores Martins, lembrou que o direito à infância está assegurado na Constituição e apresentou a informação de que 45,5% das famílias mais pobres do Brasil têm crianças na primeira infância (zero a 6 anos de idade).
Marilena afirmou que, nos primeiros anos de vida, a criança precisa de afeto, estímulo, atividade e estrutura. Ela defendeu o ato de brincar como fundamental para uma cultura de paz. Segundo destacou, uma das bases da violência é a incapacidade de lidar com as frustrações, e a criança, quando brinca, aprende a controlar seus impulsos, a aceitar as frustrações e a negociar.
A audiência pública é uma das atividades da 2ª Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz, promovida pelo Senado, em parceria com entidades públicas e privadas.
*Agência Senado