DF é o melhor lugar para jovens
Índice de Desenvolvimento Juvenil é formado por indicadores de educação, saúde, renda e ocupação. Relatório mostra que cerca de 7 milhões de brasileiros entre 15 e 24 anos não estudam nem trabalham.
Hércules Barros
Da equipe do Correio
| Marcelo Ferreira/CB |
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| Gabriel, 23 anos, trabalha desde os 14. O artesão agora estuda para prestar vestibular para design gráfico |
O
brasiliense Gabriel Pereira Lucas, 23 anos, põe a mão na massa desde os
14 anos. Estudando pela manhã e trabalhando na parte da tarde já foi
caixa, auxiliar administrativo e hoje é artesão. Terminou o ensino
médio há um ano e se prepara para enfrentar o vestibular em 2008. Quer
fazer design gráfico. “Combina mais com a minha criatividade”, afirma.
Assim como Gabriel, 80% dos jovens no Brasil entre 15 e 24 anos
desenvolvem alguma atividade: estudam, trabalham ou fazem as duas
coisas ao mesmo tempo.
O retrato da situação social e econômica dos jovens do país faz
parte do Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ) e consta do Relatório
de Desenvolvimento Juvenil 2007, divulgado ontem. Os critérios de
avaliação do IDJ são semelhantes aos do Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH), da Organização das Nações Unidas (ONU), adaptado à
realidade da juventude a partir dos seguintes aspectos: educação,
saúde, renda e ocupação. Segundo a Rede de Informação Tecnológica
Latino Americana (Ritla) e o Ministério da Ciência e Tecnologia, o
levantamento mostra que é equivocada a imagem de que o jovem brasileiro
só quer saber de moleza. “Rompe um estereótipo”, afirma o
diretor-executivo da Ritla, Jorge Werthein.
Apresentando as melhores condições de vida para os jovens, o DF não
chega à nota máxima (1) do IDJ, mas é o que mais se aproxima (0,66).
Além de primeiro na classificação geral, ficou em primeiro também nos
parâmetros de educação (0,80) e renda (0,64). Santa Catarina ficou em
segundo lugar, seguido por São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Alagoas ficou na última colocação no IDJ. O estado aparece em 27º lugar
em educação e renda, seguido de Pernambuco, Maranhão, Piauí e Pará.
Sem perspectivas
Apesar da constatação do esforço juvenil, o estudo também revela
que 20% da juventude não estuda nem trabalha. O percentual representa
um montante de cerca de 7 milhões de pessoas na faixa etária entre 15 e
24 anos. Marcos Antônio Alves do Amaral, 20 anos, faz parte desse
grupo. Pernambucano do município de Custódia, mora no Distrito Federal
(DF) há 13 anos, mas há cinco meses passa o dia apenas jogando bola ou
assistindo à TV. Marcos acredita que está nesta condição porque só tem
até a 7ª série do Ensino Fundamental. “Comecei a estudar aos 9 anos
quando vim para Brasília. Não tinha escola perto de casa em
Pernambuco”, diz.
Segundo Werthein, a situação de jovens como Marcos é preocupante.
“Estamos falando em 20% de pessoas entre 15 e 24 anos que estão sem
perspectiva de futuro. Sem estudar não conseguem se inserir no mercado
de trabalho. Vira um ciclo vicioso”, explica. De acordo com Werthein,
os municípios brasileiros precisam assumir responsabilidade com os
jovens. “As prefeituras têm de prestar atenção porque estão na ponta. A
responsabilidade não é só do governo federal”, ressalta.
Juventude em números
O Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ) é um retrato da situação social e econômica dos jovens do Brasil entre 15 e 24 anos. A avaliação é semelhante ao parâmetro utilizado para o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que vai de 0 a 1. Confira os cinco estados com melhores e piores IDJ:
Melhor situação
Estados IDJ
Distrito Federal 0,66
Santa Catarina 0,64
São Paulo 0,62
Rio Grande do Sul 0,61
Minas Gerais 0,56
Pior situação
Estados IDJ
Alagoas 0,36
Pernambuco 0,39
Maranhão 0,42
Piauí 0,43
Pará 0,43
Educação e renda dos jovens no Brasil
80% têm ocupação: estudam, trabalham ou fazem as duas atividades
20% não trabalham nem estudam
Analfabetismo — Brasil
8,2% da população jovem em 1993
2,4% da população jovem em 2006
Fonte: Relatório de Desenvolvimento Juvenil (IDJ) 2007
